Mesa Pilon.
Uma mesa de jantar para seis lugares feita sob liberdade total de criação. Jequitibá-rosa na estrutura, roxinho nos encaixes — e pernas que abandonam o prumo reto.
Um briefing de
duas linhas.
No fim de 2024 chegou um desafio raro: criar uma mesa de jantar com liberdade total de criação. A cliente deu duas únicas direções — que a peça atendesse seis lugares e que trouxesse detalhes de uma madeira exótica, de preferência o roxinho.
Liberdade assim é um presente e uma armadilha. Sem um repertório de referência, a peça precisa se justificar sozinha: cada curva, cada encaixe e cada centímetro de roxinho tinha que ter uma razão construtiva, não decorativa.
“Seis lugares, e algum detalhe em madeira exótica — de preferência roxinho.”
Da conversa
à bancada.
Entender o uso real: quantas pessoas sentam, com que frequência, e o que a mesa precisa aguentar no dia a dia.
Seleção das pranchas de jequitibá-rosa pelo desenho do veio, e do roxinho que entraria nos pontos de encaixe.
Laminação do tampo, corte das pernas orgânicas e execução dos encaixes — cada peça ajustada à mão antes da montagem.
Cera à base de óleos vegetais: mantém o toque da madeira e permite reparo pontual ao longo dos anos.
Duas madeiras,
dois papéis.
Uma sustenta, a outra marca. Nenhuma das duas está ali por enfeite.
Fibra regular e peso moderado. Dá à mesa a leveza visual que uma peça de 1,60 m pede, sem abrir mão da durabilidade que uma mesa de jantar exige.
Uma das madeiras brasileiras de cor mais intensa, e densa o bastante para trabalhar como elemento estrutural. Com o tempo e a luz, a tonalidade aprofunda.
Onde o roxinho
trabalha.

Vista por baixo: a travessa em roxinho amarra as duas bases e é o que mantém o tampo estável no vão de 1,60 m.

O disco marca o ponto onde a perna encontra a estrutura. É a cabeça do encaixe, deixada à vista em vez de escondida.

Sem prumo reto: a perna abre em direção ao chão e afina no topo, tirando peso visual de onde ele apareceria mais.
Prancha bruta,
mesa posta.
Tampo na bancada, com os encaixes abertos e os pinos de roxinho ainda soltos.
Montada e em uso, na sala de jantar da cliente.
Uma mesa que
pede para ser tocada.
As formas orgânicas e as funcionalidades modulares tornam a peça interativa: ela muda de leitura conforme você anda em volta. É uma celebração da diversidade das madeiras brasileiras — e do que a marcenaria consegue fazer quando ninguém dita o desenho.

Mais ângulos.






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